''Em um certo ponto da vida começava a acreditar que ao contrario do que os poetas e suas poesias dizem há pessoas que não nasceram para ser pássaros,seu destino no entanto é apenas descrever o voo,a sutileza e liberdade dos pássaros para quem sabe dessa maneira ter por um instante a sensação de saber o que ter o vento nas assas. Essa era a triste sina daquele homem com expressão sempre pensativa na face,qualquer que o olhasse sentiria pena dele mas a verdade era que enquanto por fora havia silencio,por dentro inúmeras vozes gritantes faziam a festa em sua mente,isso acontecia por horas desenvolvendo assim uma saída para a prisão da realidade criando para si uma falsa liberdade.Se enquanto sua face era tranquila e suas palavras não se manifestavam e seu olhar era perdido em seu interior a vida acontecia, romances eternos ele vivia,felicidades sem fim lhe batiam sempre a porta e tudo que lhe faltava no real o irreal lhe fornecia.Era lindo e perfeito o seu mundo e por mais que ele soubesse que existia um mundo la fora ele tentava ignorar essa verdade.Mas um dia uma epifania o derrubou e ele caiu em poço onde do outro lado havia vida real e por infelicidade a chave para seu mundo havia caído e ficado do outro lado.Ao se dar conta que havia perdido de vez sua unica felicidade entrou em grande depressão,passava os dias isolado sem soltar um só palavra sempre com um olhar triste agora,quando por vezes lembrava de seu mundo mais triste ele ficava,era horrível se dar conta que tudo aquilo não passava de ilusão que talvez nunca viveria de verdade todas aquelas historias.Ele costumava ouvir com freqüência as melodias de Johnny Cash principalmente uma de suas ultimas composições -Hurt-e foi assim ouvindo essa musica que um dia uma ideia lhe penetrou a mente,baseada naquele trecho final''Se eu pudesse começar de novo,a milhões de milhas daqui eu me manteria,eu daria um jeito...''Ele começou a pensar que tudo largasse que se tudo deixasse para trás e começasse novo tentado fazer que toda sua ilusão se tornasse realidade ele conseguiria ser feliz de novo.Essa ideia permaneceu em si por dias fervendo e gritando em sua mente,ele já tinha um plano pronto começaria indo para uma cidade grande e valorizada onde formaria sua base depois talvez outro pais e quem sabe ate a Europa... ate que mais uma vez uma epifania o fez cair de novo,ele se deu conta que não importava para onde fosse, não eram os luxuosos e antigos países europeus ou uma cidade grande que o fariam feliz pois sempre haverá mais ilusões que ele criaria sempre haverá mais mundos a serem construídos e tudo isso era apenas... imaginário.Não havia lugar para um sonhador hoje em dia, talvez se tentasse ser realista como todos a dor diminuísse e um dia ao ficar mais velho veria quão bobo havia sido,ou talvez ser normal também fosse angustiante e se fosse assim morrer era a unica saída para ser livre eternamente mas mesmo desse modo ainda existia uma grande chance de obter o contrario e ficar eternamente preso. Então o que seria?Ele podia procurar alguém que já tenha passado por isso, porque ha tantos desiludidos com a realidade por ai mas nem eles poderiam ter a resposta, ninguém sabe, nem eu sei, a unica coisa que sei é que qualquer pode acabar como esse coitado se é que já não esta assim pois nós todos somos feitos de ilusões que nos mantem vivos nesse mundo de realidades homicidas.''-Sarah E.
Por trás desse sorriso

Apenas um beijo
-Não posso,se eu o fizer...-ela parou por um segundo ao lembrar quão amargo seria o resultado-se eu fizer as consequências serão sem volta.
-Eu sei quais as consequências,é por isso que te imploro,Beije-me!
-Não!Já disse que não posso.Alem do que pode acontecer,sabes que sou uma pessoa desprovida de sentimentos,sou uma alma fria que os enterrou em uma caixinha sem desenhar mapa de proposito,sou apenas um vazio com cara de humana...Meu beijo não é nem um pouco agradável.
-Não me importo.E eu?O que sou?Um ser que teve suas emoções arrancadas pelo mundo cruel que não entende nada que não seja explicito,que não enxerga as entrelinhas e que só acha bonito aquilo que entende!-enquanto falava lagrimas escorriam pelo seu rosto,lagrimas que por muito tempo eram suas únicas companhia.
-Bobo,tu pelo menos um dia teve o que sentir e eu que nem sei o sabor qual das lagrimas?
-Não tem gosto bom isso eu posso te garantir,e não vale apena mais sentir no mundo de hoje.
-Mas já ouvi falar que existe lagrimas de alegria e são doces e também ha sentimentos saborosos por ai...
-Mas também ha algumas pessoas que nasceram apenas para provar os gostos ruins da vida, não é como alguns que só desfrutam os doces ou a maioria que prova dos agridoces.Agora chega dessa conversa sem sentido,me beije de uma vez!!
-Não é assim que funciona, você alem de estar pedindo algo inconcebível esta atrapalhando meu trabalho!
-Olha para ele,olha para esse pobre velho sem teto o que ele precisa eu não quero mas o que você o dará é tudo que sempre quis.Faremos assim,uma troca entre mim e ele.
-Agora esta louco!
-Te procurei por tanto tempo, não posso deixar escapar essa oportunidade.Apenas um beijo e nada mais
(silencio da parte dela)
-Tu dizes que é uma alma fria,e eu sou um humano congelado. Poderíamos fazer um par,um par para toda eternidade,ha regras contra isso?
-Acho muito provável que não.Sabe,agora não parece mais loucura sempre quis alguém para conversar,na verdade nunca tive ninguém.-falou ela agora tentada com a opção-Mas não,é perigoso!
-Eu também sempre fui solitário,por favor faz isso
Naquele instante ele lhe pareceu mais bonito,seus olhos verdes e cabelos castanhos,a barba rala e o olhar triste eram-lhe tentadores.
-Queres mesmo isso?
-Muito!
E sem mais nenhuma palavra ela o beijou calmamente,seus lábios frios se misturavam aos dele quentes e macios, molhados pelas sua lagrimas.Era o beijo da morte literalmente,pois aquela que o beijava era a própria,mas diferente do que a maioria descreve,ela tinha cabelos negros e faces doce e jovem com olhos azuis e lábios de um vermelho escuro.
Quando estavam no ápice do beijo ela o sentiu mole em seus braços,ele estava morto agora.Ela o olhou triste por um instante pensando que podia estar arrependida do feito,mas foi por pouco tempo pois logo ela sentiu uma mão fria em seu ombro,era ele agora com um sorriso que havia guardado por muito tempo:
-Viu?Não foi tao ruim assim,alem de me fazer feliz,tu agora tens um amigo para eternidade sem falar que ainda gostou do beijo-ele tinha um sorriso malicioso nos lábios.
-Você é mesmo um bobo!
E assim se foram os dois vagar pela eternidade.Mas não julguem ele por sua escolha, não o chamem de louco,louco é o mundo e a sociedade que nada entende e reprime quem tenta entender -Sarah E.(esse é apenas um dos muitos contos com a morte como personagem que escrevo,pois como escritora romântica não a vejo com temor,resolvi dividir esse com vocês,eu sei que muitos não entenderao,mas para um estranha como eu faz todo sentido)

No restaurante II
''Depois de algum tempo ela acabou por voltar ao mesmo restaurante,o tempo havia passado e agora havia flores enfeitando as mesas,sentou-se na mesma cadeira de antes mais agora com sentimentos novos e menos sofridos dentro de si.Como da outra vez o garçom veio atende-la,e ao reconhece-la sorriu amigavelmente:
-Moça bonita,mais uma vez aqui?
-Resolvi voltar e beber mais um drinque.
-O que vai querer dessa vez?Cafe não, certo?-risos.
-(ri também) Não.
-E como tens passado desde a ultima vez?
-Estou bem melhor agora, só ando desacreditada...
-Oh,moça,estas triste novamente? Não gosto de te ver assim.
-Obrigada por se importar,mas não é tristeza é apenas descrença.O que você me recomenda para isso?
-É preciso ter fé,pois não podes viver sem ter fé em algo!
-Mas eu tenho fé sim seu moço,a minha é igual a dos pássaros que voam longe e sem destino,botando toda sua fé que acharão um lugar quentinho e seguro para fugir do frio daqui.
E quando terminou essa frase falou baixinho com a mão no coração para si- fugir do frio daqui de dentro.''-Sarah E.





